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spacer sumario staff libros archivo enlaces malabia blog correo img Año 3 | mayo 2007
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Malabia em português
[poesía]


floriano martins / josé geraldo neres

A M B R O S I A

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sentir o ritmo
e mergulhar no cântico das águas
o grito
revela o paladar-líquido do orvalho-carne
moldura debruçada num cálice de música e palavras

I


na barranca
pintura de medo
perfume de lua

com tranças de árvore
teço um balanço
e bailo nas estrelas
a ciranda dos sonhos

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II


com vestes estelares
dragões na cintura
as faces da lua
no peregrino dorso

n’aquarela
gritos
dilaceram
girassóis

III


o sexo grita
as dores do arco-íris
espasmo secular
gotas insanas

relevo sem tramas

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IV


nas lágrimas
a face misturada
lava outras faces
o mar selvagem
se curva
escultura nua
crua de segredos

V


um punhal
onírico
tatua na
película
do
     corpo
dezessete pedras

giram o castelo
nas
      sandálias da lua

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VI


o corpo suado
moldura d’água
bebe natureza
um aquário soluça

seu corpo deserto

VII


delírio prateado
protesto calado de uma gueixa
orquídea em máscara de orvalho
sentencia despedidas

(temporal de saquê)

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VIII


cativos
em sonhos verdes
amaru e sade
em versos

cálix    corpo
cálido              convexo

guirlanda mítica
cantiga tênue
madrugada
nua

IX


procura o corpo dentro de si
em atos de selvageria
rasgam-se

sussurros

no oitavo dia semanal
a madrugada extasiada
banha-se no néctar uterino
da mãe-terra

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X


fantasmas se entregam à noite
o dia beija
a face da madrugada

XI


os seus pecados
cavo pela metade
sem qualquer esforço
as sobras dos seus atos
deixo para o julgamento
da sua amada

isso

se ainda lhe restou alguma

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XII


riacho da lua guerreira
peixe e fogo
na moldura

o dia no ventre
do centauro negro
flecha umedecida
na aurora boreal

XIII


cântico na órbita-azul
verbo de tambores
e silêncios

água na caça
de um sagitário
e labirintos

grito as melodias
do Vesúvio

esfinge semeia
o nono girassol
no relógio lunar

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XIV


Âmago
ser libertino
mescla-se com líquido
em manhoso êxtase
o deleite compassa o desatino
tatuo um poema no seu dorso
manifesto silente de mistérios
a madrugada estimula tramas
estrelas brincam no espelho d’alma
orvalho
o paladar do amanhecer
são versos em papiro imaculado

XV


roçar arco-íris
com dedos cristalinos
sussurrar palavras extintas
no dicionário da floresta carnal
punhal aveludado
bálsamo em cicatriz azul
ingênuo instante
poema bilíngüe
modela nuvens de algodão

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XVI


estrela marinha
aquário de vento
gota tecelã
suspensa

(olhos-tempestade)

o seio lunar
contorna o orvalho

pedra de fogo
lateja na aquarela-ventre
gênesis

XVII


no leito
silhueta
sol de lábios místicos

na porta
o som chama-me a bailar

reina-mulher
cavalga e alimenta

tatua seu mapa
neste peregrino

na barca-desejo
o suor da noite

sem estratégia
sem medo-amanhã
me entrego
ô caçadora!

Avalon
se desenha na seiva
navego

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XVIII


mordo a noite
e os espelhos de luz     –     mulher
retalhos
de palavras carnívoras
no tempo de sombras
corpo
labirinto de meus olhos
a música do seu ventre
revela as portas da morte
abraço essa melodia
a seiva de uma estrela
e sinto a canção do silêncio
percorrer pelo corpo

um beijo
recebe a primeira gota de orvalho

me alimento do seu sorriso
oferta de sangue


arte: floriano martins / poema: josé geraldo neres
agulha@rapixonline.com.br
jgneres@uol.com.br

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