imagen
imagen
spacer sumario staff libros archivo enlaces malabia blog correo servicios Año 3 | febrero 2007
imagen
imagen

:: Malabia :: arte, cultura y sociedad | Barcelona, Montevideo, La Plata

imagen

Poemas

Aricy Curvello

>> artículo en español

O acampamento

(Porto Trombetas, noroeste do Pará,
Amazônia brasileira, 1975/1976 )

1.

Barracões contra o rio,
o ermo contra as tabuas.
Nenhum sinal para fixar-te, nenhum, senão fluxo
tabe passagem,
o significado para as águas , a relva pisada
em volta das casas.
Nenhum céu, nenhum, tetos de alumínio e uma
Floresta de chagas.
Do que deixaste atrás e do que ainda virá de mais
longe sobre mais sombra,
chão noturno, mais noite que a noite,
mugem na Amazônia palavras sem poema
absurda coleção de pragas.
Onde a floresta começa, o Brasil acaba? img



2.

o que é deus e o que é fera
andavam somados num calafrio
irradiação da manhã visível
o ar a ferocidade do ar
caem do céu antes da chuva
esse inarticulado grito
parece a voz da luz

3.

Siquer um povoado de moscas.
Um rasgão, no devastado, para se residir.
Para os lados e por detrás, floresta ainda. Adiante, para
a frente, na outra margem do rio. A pesar nos olhos e
além do som.
No princípio do mundo, a madeira atroz. Silêncio
da manhã nascendo em árvores.
Vinte casas interminadas, barracões de tábuas, um
embarcadouro de nada, e os sonhos passam. Abriam-se
cozinhas de gorduras, ossos, limites, instante
veloz, irreparável .
Sobre o rio a cor balançava ainda os caminhos
da luz . E a luz em vento de clorofila e galhos derrubados,
árvores porém verdes, vivas
ainda, ainda, e só tens um instante.
Só a rapidez no acampamento, contra a floresta e
o rio.


4.

Os verbos ardem.
Braços grimpam.
Não nomes, não rostos.
Não de nehuma aparência, como cimento
e tijolos, chegavam um povo de morenos e peixes de seda,
a fruta-pupunha, o verniz de tartarugas como crianças.
E a longa, longa exposição das coisas do suor,
do calor e do apetite. Um instante para o ruído e o brilho.
Verde arder e consumir-se.
( Nós nos alimentamos do que morre.)
Osso e envoltura, máscara e movimento,
trabalhar entre fumos e clangores, mundo verdeal
rangente na alfombra, oficina de barulhos e marcenariaimg
de pregos cantantes.
tab(Evoco o dia trabalhar, não
tabuma palavra cortada da vida.)

5.

A terra
verdesuja
na luz
limpíssima
daqueles dias
naqueles dias.
A verdeluz,
a luz que brilhava na luz, poder imponderável.
O que vejo: não mais verei. Ilhas sem mim.
E nada permanece muito, o fulgor
nos rios da claridade, no arquipélago dos lagos,
pássaros tucanos brilhando nos cimos, nos cimos do dia,
castanheiras, a jaquirana-bóia, mungubas, samaúmas.
Roçar de asas,
colorados estandartes em bandos de vôos se
levantavam.
Não. Não assassinar a luz. Não me disseram
a morte próxima da orquídea e do rato silvestre, aldeias
de ninhos. Abrem, rasgam, arrebentam a terra
para as florestas perecerem
sob as primeiras, primeiras estradas.
Os homens não buscam a luz do rio. Querem
apenas bauxita bauxita bauxita – e alumínio. O Governo
quer alumínio ferro ouro cobre cassiterita chumbo
níquel. Aqui, até aqui, o horror veio tecer diademas img
de injúrias, meu salário.


6.

Era verde
e outras cores (queimadas) se acrescentaram.
Transitamos na opinião ilusória.
Acampados no provisório, sempre, sinais
imprestáveis e um tempo sem respostas, um tempo em
que se viaja sem bagagem. Para trás, apodrecer,
cadáveres.
Verde mover-se
no grande ir-se de tudo, no fruto
das casas de tábuas, nos galpões de sujos
instrumentos, núcleos esparsos de povo, nos povoados
perdidos. No vasto país que se descobre em barcos
de grosso casco e marcha lenta.
No tempo. No tempo o revelarás.
No tempo em que quase tudo é tarde.
No tempo, nessa paisagem além
da paisagem,
quando a imagem do tempo passar,
significados para as águas, relva pisada
em volta
das casas.

 

arriba

descargar pdf Descargar PDF

 

sumario | staff | libros | archivo | enlaces | mlb | blog | contacto | servicios

imagen esq imagen
imagen imagen

:: Malabia :: arte, cultura y sociedad | Barcelona, Montevideo, La Plata